A noite e eu

Assumo que não é saudável, mas sim muito estimulante e inspirador passar as noites acordada. Já são 3 e tal, eu deveria estar no quinto sono, mas a vontade de desfrutar desse silêncio é tão grande que nem 5 mil carneirinhos me fariam dormir nesse momento.

Eu sou uma daquelas pessoas que dizem produzir melhor durante a noite. Lembro-me bem das épocas de faculdade em que eu só tinha tempo para fazer alguns trabalhos durante a madrugada e estes eram para mim os que eu achava melhores. E olha que eu nunca usei de artifício alucinógeno algum! Certo dia, um cliente meu se disse surpreso por ter recebido, por e-mail, parte de um projeto gráfico, às 4:20 da madruga. Eu perguntei: está aprovado? Ele disse que sim. Eu pensei na minha, então tá tudo certo!

O problema é que tudo tem o seu preço, né? Quando eu insisto muito nessa de dormir pouco, é certo que o meu bom humor vai se desfazendo. Porém, tudo volta ao normal no meu sistema nervoso, após desfrutáveis noites de sono.

Talvez seja esse um dos motivos pelos quais eu tenha tanta admiração por felinos, por que eles vagam livremente pelas esquinas vazias e escuras. A sensação que eu tenho, com a licença do poeta Cazuza, é de que todos estão dormindo e que só eu estou acordada, sou eu tenho o universo em minhas mãos. 

E o mais interessante é que assim como o dia tem as suas particularidades, a noite guarda para si e aos seus amantes o que só ela possui de fato, como o brilho da lua e das estrelas, o direito de abrir caminhos àquelas que são acolhidas, nas calçadas, pelos homens que pagam por momentos de prazer, é a noite também que muitos de nós procuramos nos reunir com amigos para bater aquele papinho furado e por aí vai…

A vida é tão breve que ainda que o sono seja o alimento necessário à alma, a vontade é de me manter acordada e fiel aliada ao silêncio da escuridão. Silêncio este que me liberta a mente e me mantém viva nesse mundo paralelo onde existimos a noite e eu.

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