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Feijoada da Portela

Relato neste artigo, palavra por palavra, a experiência prazerosa de ir à Madureira para saborear a suculenta feijoada da Portela, que acontece a cada primeiro sábado do mês. http://www.gresportela.com.br/
A viagem de trem é um capítulo a parte. Chegamos á Estação Central, ás 11h15, e descemos as escadas, ás pressas, por que o próximo “trem direto” (aquele que não pára em todas as estações), nos levaria até Madureira em 20 min. Que sorte a nossa! Bom, continuando… O trem era bem precário e como não tem inverno no RJ, estava um calor daqueles, mas foi tãããão divertido. Uma senhora sentada ao nosso lado começou a contar que arrebentou a sandália na rua e que estava usando os chinelos de um porteiro que acredito eu ter sido um anão, pois tinha muito pé para pouco chinelo. (Só estou relatando como ela mesma disse). Caracas! Teve uma senhora que perguntou assim: Esse trem passa em Ramos?….Eu que mal sabia onde estava pensei comigo: minha senhora, estamos muito longe de Ramos ou de qualquer outro lugar. Ela nos informou que estava levando os três netinhos, pela primeira vez, a um passeio de trem e que não tinha destino! Eu virei para minha amiga Pollyanna e disse: Pronto! Estamos no vagão certo! Só tem veterano aventureiro aqui!

Bem, seguimos em direção ao nosso destino passando por bairros como São Cristovão, Maracanã, Méier, Engenho Novo (conheci o monumental Engenhão), Cascadura e por aí vai… Eu, que alí dentro era marinheira de primeira viagem, não pisquei os olhos e só não me ajoelhei ao banco para me debruçar na janela, como faziam os netinhos daquela senhorinha, por que a idade não me permitia.
Atentei às peculiariedades bairro a bairro cuja arquitetura tinha os traços da desigualdade sociocultural, mas que não me parece ser motivo de complexos da parte daquela gente que segue em frente sem não ter com quem contar (com a licença poética do poeta Chico Buarque).
Pois bem, descemos na estação de Madureira e seguimos até a rua Clara Nunes, onde fica a quadra da portela. Antes de entrarmos, uma pausa para refrescar a garganta no boteco ao lado. Ás 13h, estávamos na fila da bilheteria onde tinha um papel escrito que a entrada custaria R$ 6,00, mas a nem da bilheteria disse que seriam R$ 8,00…Ah, menina, pra quê? A nem que era a primeira da fila desceu do salto, rodou a baiana e acabou que todo mundo pagou 6 barão mesmo!!

Dentro da quadra enquanto o grupo de samba, de cujo nome não me recordo, afinava seus tan-tans e tamborins, nós nos degladiávamos na fila para pegar nosso pratinho de feijoada que custou R$ 10,00. Caracas! Pratinho não por que a tia colocou primeiro o feijão, depois uma montanha de arroz, farofa e por fim pedacinhos de porquinhos, tadinhos! Peguei dois gominhos de laranja e me sentei para mandar ver!!! Aliás, faltou a couve, hein, tia Surica!

Após enchermos a pança com elegância nos arriscamos nos passinhos de samba, fiz umas filmagens, tirei umas fotos e cadê a tia Surica???? Um dos maiores motivos que me levaram áquele lugar era para receber um abraço das tias fofas: Eunice, Doca e Surica. Ah! Do tio Jair do cavaquinho também! Mas, infelizmente, tivemos que sair cedo e meu intento foi por água abaixo…Não deu para ver o show da velha guarda e tão pouco o do Paulinho da Viola, mas me diverti mesmo assim.
Infelizmente, saímos beeem cedo e seguimos em direção á estação de Madureira para voltar. Por sorte, chegamos na hora em que sairia o trem parador, o que não fez diferença ter parado em todas as estações, pois chegamos á Central em menos de 30 min. Por sinal, era um trem de primeiro mundo, limpo e refrigerado.
Voltei com o sorriso manchado de feijão e convicta de que para muitos, não precisa de muita coisa para ser feliz. Aquela gente não tem máscaras, poses e pudores. Aquela gente é o retrato e a excência de um verdadeiro carioca.
Que latinos que nada! Somos brasileiros! Nossa principal infuência cultural veio da África que juntamente com outros continentes nos fizeram brasileiros de todas as raças. Somos brazukas, somos feijoada e somos samba! Samba este que une os povos ao redor de uma só mesa.
Viva a Velha Guarda da Portela!   Viva o samba!   Viva o carioca! 


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